Em Portugal vivem “150 famílias com mais de um milhão de euros por ano”. O número corresponde a 0,003% de um total de 4,4 milhões de famílias portuguesas. “Uma família com os rendimentos mais altos ganha assim quase 55 vezes mais que uma família média.”
Rolls-Royce: A excelência no luxo
10/01/2011A Rolls-Royce vendeu 2711 carros em 2010, o que significa 171 por cento mais automóveis que no ano anterior e um ano recorde de vendas para a empresa.
O “Ghost”, último modelo da RR, foi o mais procurado pelos clientes. “80 por cento dos clientes do Ghost nunca antes tinham tido um Rolls Royce.”
As marcas de luxo
04/01/2011O automóvel. Uma marca de luxo. O símbolo por excelência de uma certa maneira de estar no mundo. O timbre da diferença. A insígnia dos intocáveis. Dos invencíveis. Dos indomáveis. The touch of class dos eleitos. A performance do requinte. O prémio para os domadores de crises. A imagem sofisticada do mérito. O troféu para os conquistadores do Olimpo.
O país é pobre. Nas cidades, nas esquinas expostas de ruas procuradas, há gente aninhada de mão aberta estendida. Nas férias, as escolas transformam-se em cantinas para os alunos com fome. Os políticos e os media reduzem o desemprego e a miséria a números para melhor os desumanizar. Na desumanização não há lugar para a solidariedade. A assistência é tarefa do Estado.
A marca de luxo dá ao indomável a certeza da imagem que ele quer ter/ver de si. O sucesso expresso em cavalos-força. O bom-gosto no design arrojado. O avanço na velocidade felina. A vantagem na vertigem. No entanto, dúvidas mortificam-no. Algo indefinido dentro de si lhe cicia que ainda não é. Ainda está na fase do querer ser. Não é.
O ser não se ilude com exteriorizações. Com Aston Martin’s, Armani’s, IWC’s. O homem só o é pela educação, pelo conhecimento, pela cultura. Mas a alma do indomável, martirizada pela falta de auto-estima e desesperada de reconhecimento, precisa do carinho rápido de um bom objecto, precisa de uma marca de luxo.
Em Portugal estão representadas sete marcas de automóveis de luxo: Porsche, Jaguar, Ferrari, Aston Martin, Lamborghini, Bentley e Maserati. As vendas “aumentaram em 50% para um total de 785 unidades, de acordo com os números da Associação Automóvel de Portugal referentes a 2010.”
Apontamentos sobre a nossa elite
02/01/2011Elites alvarinhas e de fogacho (ver abaixo).
Este tipo de elites, se assim se pode designar este tipo de gente, é já por si um “case study”. O seu surgimento súbito logo seguido do seu rápido declínio e desaparecimento. O seu enriquecimento fácil acompanhado do imediato esbanjamento do dinheiro adquirido. O dinheiro não é gasto com fins reprodutivos, isto é, com o objectivo de gerar mais riqueza, mas pura e simplesmente na ostentação e no luxo. Não há uma preocupação de sustentabilidade económica e financeira, aqui são activados mecanismos de compensação psicológica, gerados pela falta de auto-estima, típicos do novo-riquismo.
O novo-rico não está preocupado com a continuidade da sua empresa nem com o destino dos seus trabalhadores, os que lhe dão a riqueza. Ele quer tudo aqui e agora. Vive das aparências alimentando-se das suas ilusões.
A Europa dos anos 50 e 60 é a Europa do pós-guerra. Uma Europa de renovamento e reconstrução. Portugal, esse, continua abafado pelo salazarismo, tirando contudo proveito dessa nova dinâmica.
E, como tantas outras vezes na história do nosso país, muito especialmente depois da época áurea dos Descobrimentos, a burguesia não está à altura da sua missão histórica. A burguesia portuguesa, de carácter comercial, colonial, esclavagista, é uma burguesia frágil, complexada, dependente. Dependente de outras potências europeias, dependente do Estado. Daí os seus complexos e a sua fragilidade.
A burguesia portuguesa quer reconhecimento, o que é legítimo. Mas dá-se por satisfeita com os seus sinais exteriores, com aparências. Títulos e luxo. O que nasceu e cresceu torto só pode morrer torto.
Elites alvarinhas e de fogacho
01/01/2011Tortosendo, anos 50 e 60 do século XX, a nossa “burguesia da serra”.
Este artigo do Público deixa entrever como vivia “a classe alta local” “uma elite desmesuradamente rica para os padrões da região”, a “burguesia da serra”, um “jet-set dos anos 50”, “patrões novos-ricos”. Fala de “um estilo de vida de ostentação e glamour”, de “palacetes nos mais belos locais e cujos filhos conduziam carros desportivos”. “Muitos desses empresários exportavam para as colónias africanas, onde também abriram negócios e para onde viajavam frequentemente.”
“Esse jet-set dos anos 50 no Tortosendo foi decaindo nas décadas seguintes e desapareceu completamente no 25 de Abril de 1974.” Elites alvarinhas e de fogacho.
Elite sobranceira
25/12/2010A típica arrogância de uma certa elite política portuguesa sem tradições sólidas e sóbrias de cultura e conhecimento:
“Para serem mais honestos do que eu tinham que nascer duas vezes”.
Foi deste modo sobranceiro e abespinhado que Cavaco Silva respondeu às acusações do candidato Defensor Moura sobre o seu envolvimento no caso BPN.
As famigeradas elites portuguesas
11/02/2010Quando se fala de elites em Portugal é desta que se trata em primeiro lugar: A elite mais poderosa e que detem a maioria da riqueza do país. A ela se refere a CIA num dos seus relatórios secretos sobre Portugal realizados em 1974, portanto há 36 anos:
«Desde o tempo de Salazar que um grupo de talvez 40 famílias – que controla a maioria da riqueza do País – desempenha um papel decisivo no exercício do poder político. A sua posição é derivada do seu controlo da economia, propriedade de meios de comunicação social, representação nos corpos legislativos, e a sua estreita ligação com os cargos superiores do Governo. Consequentemente, a política do governo tem reflectido as posições conservadoras deste grupo nos planos político, económico e social.» Aqui.
Conhecê-las a elas e às suas redes de influências é o primeiro passo para entender as causas do subdesenvolvimento do país.
Pabe – Ponto de encontro das elites políticas
04/02/2010Pabe é um bar-restaurante no centro de Lisboa, na rua Duque de Palmela, a dois passos da praça Marquês de Pombal. Frequentado por jornalistas e políticos, dispõe de várias salas bem ao estilo de pub inglês. Apresenta uma excelente carta de vinhos e uma ementa variada. A decoração do espaço em madeira e com peças de latão é da responsabilidade de Pedro Leitão (1). O nome assim escrito em português resulta provavelmente da forma como deve ser correctamente pronunciado em inglês.
O jornalista e político brasileiro Sebastião Nery (2) dizia que em 1975 o Pabe era “o melhor bar-restaurante do centro de Lisboa” e que no dia 24 de Abril daquele ano “estava cheio de políticos e jornalistas.” (3)
“Mário Soares tinha uma grande mesa-redonda, onde toda noite, já tarde, voltando dos comícios da estafante campanha para a Constituinte, no primeiro semestre de 75, ele jantava com a direção do seu Partido Socialista. Eram “os velhos” (Mário Soares tinha 50), seus bravos companheiros de duros anos de resistência à ditadura salazarista e de exílio : o presidente do PS Antonio Macedo, o secretariado nacional Almeida Santos, Alberto Antunes, Lopes Cardoso, Antonio Reis, Marcelo Curto, Salgado Zenha, Jaime Gama, João Guterres, Catanho de Menezes, Sotomayor Cárdia, Rui Matheus, Tito de Morais, Ramos da Costa, Raul Rego e Victor Cunha Rego, entre outros. Do outro lado, numa mesa comprida, menos pomposa e mais estrepitosa, “os novos”, liderados por Manuel Serra, da Frente Socialista Popular, Jorge Sampaio, Antonio Guterres, alguns ainda estudantes, mais esquerdistas e radicais do que “os velhos”, criticavam alto e abertamente as posições políticas de Mário Soares, que os ouvia, sorria, chamava à sua mesa e discutia.” (4)
José António Saraiva, director do semanário Sol, fala de “um restaurante de luxo na Rua Duque de Palmela que servia de ‘cantina’ à administração do Expresso e onde eu também ia com alguma frequência quando tinha um convidado para almoçar.
Os políticos gostavam de ir ao Pabe porque eram vistos: o restaurante funcionava um pouco para eles como uma passerelle. Lá se realizaram durante anos os célebres almoços do Expresso com figuras públicas. Lá iam, com mais ou menos frequência, Dias Loureiro, António Guterres, Marques Mendes, Ferreira do Amaral, Freitas do Amaral, Henrique Granadeiro, Manuel Monteiro, Paulo Portas, Deus Pinheiro, Mira Amaral, Fernando Nogueira, além de Balsemão, que tinha uma mesa sempre reservada e lá almoçava quase todos os dias. Lembro-me ainda que foi no Pabe que tive o primeiro e único encontro com Mota Pinto.” (5)
O Pabe era frequentado pelas elites que sempre partilharam o poder em Portugal. Com o “Expresso” à mão de semear.
Brinquedos das elites portuguesas
10/01/2010Os automóveis de luxo e os super-desportivos nunca se venderam mal em Portugal. Apesar da quebra de vendas de 57, 7%, em 2009, e preços de venda para lá dos 150.000 euros, os brinquedos para adultos lá se foram vendendo.
Aqui a lista dos automóveis de luxo mais vendidos em Portugal, em 2009:
BMW série 7 – 211 unidades
Mercedes-Benz, Classe S – 144 unidades
Porsche Cayenne – 99 unidades
Porsche 911 – 89 unidades
BMW M6 – 79 unidades
Porsche Panamera – 23 unidades
Audi A8 – 17 unidades
Ferrari F430 – 12 unidades
Bentley Continental – 11 unidades
Ferrari Califórnia – 11 unidades
A corrupção, o poder e a riqueza
10/01/2010“A corrupção existe sempre com fins instrumentais, porque o poder e a riqueza andam associados, em termos sociológicos, ao crime organizado.” .” (Maria José Morgado, aqui.)
Publicado por mart